DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO MUSICAL NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
ASSIS -
SP
-2013-
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO MUSICAL NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
Projeto de Trabalho
de Conclusão de Curso exigido como parte integrante da formação em Pedagogia
pela UNESP - UNIVESP.
Orientando: Eder Roni da Silva Godoi
Orientador: Professor Alonso Bezerra de Carvalho
ASSIS -
SP
-2013-
Dedico esse trabalho a toda equipe docente do Campus da UNESP de Assis,
em especial aos Professores Doutores, Juvenal e Alonso, às Orientadoras de
Disciplina Stela e Rose, mas principalmente à minha esposa Marlene Aparecida
Polo Godoi que me acompanhou, me ajudou, me ensinou, me motivou, está sempre ao
meu lado e é a mulher da minha vida.
SUMÁRIO
-
RESUMO..........................................................................................................................05
- RESUMO (LÍNGUA ESTRANGEIRA/
INGLÊS).....................................................06
- INTRODUÇÃO...............................................................................................................07
-
JUSTIFICATIVA...........................................................................................................09
- BIBLIOGRAFIA............................................................................................................11
- RELATO DE
EXPERIÊNCIA.....................................................................................15
- CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................17
-
REFERÊNCIAS.............................................................................................................18
RESUMO
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), o Referencial Curricular
Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), bem como algumas pesquisas nas áreas
da Educação Musical e Infantil, apontam a importância da disciplina de Música,
como auxílio no desenvolvimento da criança nos primeiros anos da vida escolar. Levando
em consideração todos os benefícios que a prática musical pode proporcionar às
crianças envolvidas no processo de ensino aprendizagem pode-se concluir que a
volta dessa disciplina para a o currículo escolar é muito bem vinda, juntamente
com outras disciplinas de diferentes formas de linguagens.
O desenvolvimento deste trabalho de conclusão do curso de Pedagogia tem como
objetivo geral evidenciar a importância do ensino de música, sua aplicação e
benefícios advindos da prática. Como
objetivos específicos, fundamentar a importância do ensino de música (lançando
mão de levantamento bibliográfico documental relacionado ao tema), apresentar a
proposta de que pedagogos e educadores deste segmento podem desenvolver
atividades de música mesmo não tendo conhecimento específico e por último, um
relato de experiência relacionado ao sucesso escolar de um projeto de música na
escola já em desenvolvimento.
PALAVRAS CHAVE: educação; diferentes
formas de linguagens; musicalização infantil; música na escola.
ABSTRACT
The National Curriculum
Parameters (PCN's), the National Curriculum for Early Childhood Education
(RCNEI), as well as some research in the areas of Music Education and Children,
point to the importance of the discipline of music as an aid in child
development in the early years of school life. Taking into consideration all
the benefits that musical practice can provide children involved in the
learning process can be concluded that the return of this discipline to the
school curriculum is very welcome, along with other subjects of different forms
of languages.
The development of this
work on the completion of pedagogy has the general objective is to highlight
the importance of music education, its application and benefits from the practice.
The specific objectives support the importance of music education (making use
of bibliographic documentation related to the topic), presenting the proposal
that teachers and educators can develop this segment music activities while not
having specific knowledge and lastly, an account of experience related to the
academic success of a school music project already in development.
KEYWORDS:
education; different forms of language, music to children; school music.
INTRODUÇÃO
Após mobilização por parte de Educadores, Professores (de Arte e de
Música), Agentes de Cultura, Pesquisadores e diversos outros profissionais, no
dia 18 de agosto de 2008 o então presidente da República, Ilmo Sr. Luiz Inácio
Lula da Silva, sancionou o decreto do Congresso Nacional que altera a LDB (Lei no 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação)
para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica
conforme extrato abaixo.
|
|
Altera a Lei no 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação,
para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica
|
O
PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte Lei:
Art. 1o
O art. 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
passa a vigorar acrescido do seguinte § 6o:
“Art. 26.
..................................................................................
................................................................................................
§ 6o A música deverá ser
conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata
o § 2o deste artigo.” (NR)
Art. 2o (VETADO)
Art. 3o
Os sistemas de ensino terão 3 (três) anos letivos para se adaptarem às
exigências estabelecidas nos arts. 1o e 2o desta
Lei.
Art. 4o
Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 18 de
agosto de 2008; 187o da Independência e 120o da
República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Fernando Haddad
Fernando Haddad
Este texto não substitui o publicado no
DOU de 19.8.2008
O extrato acima com a íntegra da
publicação oficial da lei deixa clara a obrigatoriedade da disciplina de música,
porém não devendo ser exclusiva, mas parte integrante do conteúdo estudado na
disciplina de Arte.
A lei e os documentos oficiais norteadores dos sistemas escolares não especificam
a quantidade de aulas semanais, conteúdos ou objetivos, desta forma, as instituições
de ensino têm liberdade para adotar a disciplina.
Há, portanto uma clara
oportunidade para que a escola, aproveitando-se dessa “aparente autonomia”,
assuma o desafio de escrever e desenvolver projetos próprios, consistentes,
fundamentados e concebidos, preferencialmente, após pesquisas em publicações de
qualidade e ainda, considerando as características sociais e humanas de cada
escola, esses sejam preparados e desenvolvidos como ferramentas importantes e
integrantes do desenvolvimento dos alunos e não por obrigatoriedade em atender
uma lei.
Este trabalho de modalidade
qualitativa foi elaborado a partir de compilação e análise de dados,
resultantes de pesquisa bibliográfica e um relato sobre um projeto de música de
resultados significativos para todos os envolvidos.
JUSTIFICATIVA
Mas quem é que vai ministrar essas aulas de música? A lei prevê que
professores de Arte devem lecionar os conteúdos de música, mas esses
profissionais possuem formação adequada? Se esses profissionais que não possuem
formação específica, não sabem trabalhar com a disciplina, existem
profissionais capacitados e especialistas em quantidade suficiente para atender
a demanda? Como deve ser uma aula de música para as diversas faixas etárias?
Quais objetivos devem ser alcançados? Estas são algumas das questões que,
provocando inquietações, são agora mais especificamente trabalhadas nessa
proposta.
No volume 3, os Parâmetros Curriculares
Nacionais
(...) enfatizam o ensino e a aprendizagem
de conteúdos que colaboram para a formação do cidadão, buscando igualdade de
participação e compreensão sobre a produção nacional e internacional de arte. A
seleção e a ordenação de conteúdos gerais de Arte têm como pressupostos a
clarificação de alguns critérios, que também encaminham a elaboração dos
conteúdos de Artes Visuais, Música, Teatro e Dança e, no conjunto, procuram
promover a formação artística e estética do aprendiz e a sua participação na sociedade.
Não estão definidas aqui as modalidades
artísticas a serem trabalhadas a cada ciclo, mas são oferecidas condições para
que as diversas equipes possam definir em suas escolas os projetos curriculares
(...).
Sabe-se que, nas escolas e nas
comunidades onde elas estão inseridas, há uma diversidade de recursos humanos e
materiais disponíveis; portanto, considerando a realidade concreta das escolas,
ressaltam-se alguns aspectos fundamentais para os projetos a serem
desenvolvidos.
É desejável que o aluno, ao longo da
escolaridade, tenha oportunidade de vivenciar o maior número de formas de arte;
entretanto, isso precisa ocorrer de modo que cada modalidade artística possa
ser desenvolvida e aprofundada. (BRASIL, 1997, pag. 41).
Ainda segundo o documento,
Na proposta geral dos Parâmetros
Curriculares Nacionais, Arte tem uma função tão importante quanto a dos outros
conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem. A área de Arte está
relacionada com as demais áreas e tem suas especificidades.
A educação em arte propicia o
desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que
caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à experiência humana: o
aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar
formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas
por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas.
Esta área também favorece ao aluno
relacionar-se criadoramente com as outras disciplinas do currículo. Por
exemplo, o aluno que conhece arte pode estabelecer relações mais amplas quando
estuda um determinado período histórico. Um aluno que exercita continuamente
sua imaginação estará
mais habilitado a construir um texto, a desenvolver estratégias pessoais para
resolver um problema matemático.
Conhecendo a arte de outras culturas, o
aluno poderá compreender a relatividade dos valores que estão enraizados nos
seus modos de pensar e agir, que pode criar um campo de sentido para a
valorização do que lhe é próprio e favorecer abertura à riqueza e à diversidade
da imaginação humana.
Além disso, torna-se capaz de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente,
reconhecendo objetos e formas que estão à sua volta, no exercício de uma
observação crítica do que existe na sua cultura, podendo criar condições para
uma qualidade de
vida melhor. (BRASIL,
1997, pag. 19).
A
música é uma das mais antigas formas de expressão da humanidade e está presente
nas mais diversas situações. Há músicas infantis, religiosas, instrumentais, vocais,
eruditas, populares e cívicas. Não poderia, portanto, estar fora do ambiente escolar.
BIBLIOGRAFIA
Os
movimentos pró Música na Escola, as leis regulamentadoras, educadores musicais
e pesquisadores não sugerem que músicos sejam formados a partir da Educação
Musical proposta (e também não dizem que isto não possa acontecer). A intenção
é lançar mão da linguagem com o intuito de otimizar a aprendizagem , visto que
o ensino de música nas escolas é importante fator de contribuição, para a
formação musical dos alunos e ferramenta eficiente de transformação social,
onde o ambiente de ensino e aprendizagem pode proporcionar cooperação, respeito,
amizade, envolvimento ativo e reflexão tão importantes e necessárias para a formação
humana.
Segundo Hentschke e Del
Ben (2003) as funções da música no contexto escolar são:
(...) auxiliar
crianças, adolescentes e jovens no processo de apropriação, transmissão e
criação de práticas músico-culturais como parte da construção de sua cidadania.
O objetivo primeiro da educação musical é facilitar o acesso à multiplicidade
de manifestações musicais da nossa cultura, bem como possibilitar a compreensão
de manifestações musicais de culturas mais distantes. Além disso, o trabalho
com música envolve a construção de identidades culturais de nossas crianças,
adolescentes e jovens e o desenvolvimento de habilidades interpessoais. Nesse
sentido, é importante que a educação musical escolar, seja ela ministrada pelo
professor unidocente ou pelo professor de artes e/ou música, tenha como propósito
expandir o universo musical do aluno, isto é, proporcionar-lhe a vivência
de manifestações
musicais de diversos grupos sociais e culturais e de diferentes gêneros
musicais dentro da nossa própria cultura. (p. 181).
As educadoras apresentam aqui
algumas finalidades do conteúdo musical no currículo escolar sugerindo que o
professor tenha como proposta colocar os alunos em contato com diversos estilos
e gêneros musicais (sempre respeitando a música que o aluno já traz consigo), no
sentido de explorar essa diversidade e contribuir para que os alunos tenham
oportunidade, de expandir seu universo musical, fortalecer a aprendizagem em
relação à cultura impregnada nos diversos tipos de música e começar a entender
e respeitar os gostos e a cultura de outras pessoas.
Quando é proposto o
desenvolvimento de atividades de música em grupo, pode-se trabalhar outros
conceitos como, por exemplo, respeito mútuo, já que os objetivos são comuns e a
conclusão da atividade só se dá com a colaboração e participação de todos. Para
melhor exemplificar podemos citar as atividades onde as crianças devem cantar e
dançar em roda ao mesmo tempo. Com isso, reforçamos mais uma vez a ideia de que
esta disciplina deve ser contemplada na Educação Infantil com propriedade.
Hentschke (1995) destaca outros
fatores que justificam a presença da educação musical nas escolas:
Entre elas, estão proporcionar à criança:
o desenvolvimento das suas habilidades estéticas e artísticas, o
desenvolvimento da imaginação e do potencial criativo, um sentido histórico da
nossa herança cultural, meios de transcender o universo musical de seu meio
social e cultural, o desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor, o
desenvolvimento da comunicação não-verbal.
Os conteúdos musicais
devem ser desenvolvidos nas aulas de música para crianças, mas outras
habilidades como a socialização, a afetividade, a criatividade, a imaginação, a
comunicação entre outros, também estarão sendo trabalhadas simultaneamente. Os RCNEI
nos traz que:
A integração entre os aspectos sensíveis,
afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de integração e
comunicação social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma
das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua
presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação infantil,
particularmente. (BRASIL, 1998, p. 45).
Ainda sobre as contribuições da música para o desenvolvimento da criança,
vale ressaltar que a dança está diretamente ligada a ela e a presença natural
dessa outra forma de linguagem permite explorar o próprio corpo durante o processo de ensino aprendizagem musical, por meio dos
movimentos, para fazer ou vivenciar música.
Inserindo naturalmente a dança no aprendizado
musical é possível desenvolver atividades que promovam o desenvolvimento da percepção
e interiorização do ritmo, intensidade e altura, forma musical e a capacidade
de se expressar. Fonterrada (2005) escreve que o educador musical Dalcroze
desenvolveu uma forma de trabalhar com a escuta, a música e o movimento
corporal de uma maneira que fossem ligados e interdependentes. Para a autora:
“O sistema Dalcroze parte do ser humano e
do movimento corporal estático, ou em deslocamento, para chegar à compreensão,
fruição, conscientização e expressão musicais. A música não é um objeto
externo, mas pertence, ao mesmo tempo, ao (sic) fora e ao (sic) dentro do
corpo.” (FONTERRADA, 2005, p. 120).
Segundo
Dalcroze explorar as diversas possibilidades de movimento corporal levam a
criança a vivenciar, praticar e compreender os conteúdos musicais, visto que a atividade
acontece simultaneamente dentro e fora do nosso corpo.
Quando
são propostas atividades de música explorando o corpo os resultados são
extremamente positivos e satisfatórios. As crianças que participam desse tipo
de atividade sempre demonstram bastante euforia e acabam se envolvendo
completamente.
Fonterrada
ressalta mais uma contribuição de Dalcroze:
“O
corpo expressa a música, mas também transforma-se em ouvido, transmutando-se na
própria música. No momento em que isso ocorre, música e movimento deixam de ser
entidades diversas e separadas, passando a constituir, em sua integração com o
homem, uma unidade”. (FONTERRADA, 2005, p. 120).
Outra
interessante proposta de trabalho na educação musical proposta pelos RCNEI é a apreciação
musical. O documento nos mostra em Brasil (1998), que o trabalho com apreciação
musical pode possibilitar a ampliação e o enriquecimento de conhecimentos relacionados
à produção regional, além de ampliar significativamente o repertório das
crianças.
No livro Música na Educação
Infantil, de Teca Alencar de Brito, a autora busca auxiliar educadores, com
formação em música ou não, partindo de uma revisão de conceitos relativos a
música e a didática, bem como um capítulo sobre o “fazer música” e uma
comparação entre conteúdo, metodologia e estratégias nas concepções
tradicionalista e construtivista.
A autora faz uma análise sobre a
musicalização da criança desde a fase intra uterina, a partir dos estudos do
francês Delalande, onde é evidenciado a necessidade do contato do bebê com a
música, não para um futuro músico, mas para a formação de todo o ser. (A voz
materna é além de material sonoro a referência afetiva do bebê).
No capítulo especial sobre a
educação infantil (49 a 54), a autora diz que apesar da proposição do ensino de
música ser a promoção do ser humano, encontramos muitos profissionais que
trabalham as músicas prontas e se esquecem das possibilidades da criação; do
cantar, mesmo que desafinado e do tocar instrumentos, mesmo que não haja um
senso rítmico.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Em maio de 2008, apresentei um projeto para desenvolvimento e formação de
um Coral Infantil, com alunos matriculados na Rede Municipal de Assis-SP, para
o então Secretário de Educação, Professor Rubens Cruz, que aceitou
imediatamente uma vez que, coincidentemente, era desejo do Secretário e de sua
equipe a realização de projeto semelhante.
O fator diferenciado, além da oportunidade de proporcionar a uma parcela
carente da população um projeto de Arte, era o de que as crianças não iriam se
deslocar para frequentar o projeto, porque este “seria levado” até elas.
Cerca de 250 crianças residentes em 13 bairros afastados da região
central da cidade foram atendidas no início do projeto. Os alunos frequentavam
as oficinas de canto e coral em unidades escolares bem próximas à sua residência,
no horário inverso ao de aula e, na medida em que alcançavam determinados
objetivos, previamente estabelecidos, passavam a frequentar os ensaios gerais
que aconteciam quinzenalmente e, nesta etapa do projeto (a formação do Coral),
a Secretaria de Educação disponibilizava transporte para esses ensaios gerais.
Os alunos que frequentavam as oficinas e que, posteriormente, passaram a
integrar a corporação musical formada eram crianças carentes e de condição
social bastante complicada. Baixa auto estima, sem imaginação ou criatividade,
mal vestidos, entre outros aspectos e características que, obviamente, eram fatores
determinantes no processo de formação, principalmente de caráter e conduta,
dessas crianças. A disciplina nos primeiros momentos era insuportável, quase
insustentável e a primeira ação foi convencê-los de que era preciso ter outro
tipo de comportamento para se tornar um músico, um corista.
Em menos de três meses alcançamos resultados surpreendentes. Formamos um
Coral com 90 crianças com idade entre 6 e 12 anos, consistente, de qualidade e
que apresentava algumas características que evidenciavam a concretização dos
objetivos pré estabelecidos:
- 90 crianças,
com o histórico social citado acima, que do momento em que entravam no ônibus
para ensaiar ou se apresentar até o momento em que eram deixados de volta
próximo à sua residência, apresentavam comportamento impecável, sem que para
isso tivessem que ser tratados com falta de respeito ou de educação;
- Uma corporação
musical de qualidade, cujos cantores cantavam com propriedade, sabendo o que
estavam realizando, com segurança e principalmente: COM ALEGRIA.
O projeto foi concebido, redigido,
gerenciado, fundamentado e conduzido com base em material (pesquisas, material
didático, outros profissionais envolvidos, etc) de qualidade, com inúmeros
objetivos, mas, principalmente, tudo com um foco, único e exclusivo, as
crianças. E dos objetivos alcançados, o maior sem dúvidas, foi a situação
narrada a seguir.
A população assisense pode assistir
a um belo espetáculo, protagonizado por um coral com 90 crianças da periferia
pobre da cidade, que foram aplaudidas de pé no principal espaço cultural local
(Teatro Municipal), orgulhosos de si, realizados e com um sorriso no rosto que
a vida jamais vai apagar das suas lembranças.
A oportunidade de proporcionar um
projeto de música de qualidade para esse público alvo, em especial, não tem
preço e proporcionar o desenvolvimento da criatividade, da imaginação e da
capacidade de sonhar traz a certeza de que fiz uma fração do que é, a meu ver,
uma obrigação na qualidade de educador.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com Lima (Brasilia, 2007),
“As artes fizeram parte dos currículos,
em várias civilizações em momentos históricos distintos. Na verdade, a música
sempre foi um componente curricular importante, acompanhada pela literatura. As
artes visuais, a geometria, o desenho foram componentes curriculares que atravessaram
os milênios.
Na antiga Grécia, por exemplo, a música
era um componente curricular tão importante como a leitura e a literatura. (Lima,
Brasilia, p. 21, 2007)
A música
faz parte da história da humanidade, está dentro de nós e, como pudemos
observar na pesquisa bibliográfica, exerce importante papel transformador na
vida do ser humano. É meio de comunicação e expressão, muito mais que uma
linguagem.
Também vimos que a educação em
música proporciona inúmeros benefícios, sociais, de inclusão, de
desenvolvimento humano além de promover o desenvolvimento de: concentração,
raciocínio, coordenação motora, reflexo e ainda o despertar da sensibilidade.
Concluindo, este trabalho de pesquisa não estaria completo sem a seguinte
observação:
A música está em todos os lugares: na indústria do entretenimento e nas
igrejas, é usada para transmitir mensagens, positivas ou negativas, para
protestar, contestar, fazer apologias e principalmente: A Música faz o que nenhuma
religião consegue fazer: unir as pessoas. Em um show de música encontram-se católicos,
espíritas, budistas, protestantes, islamitas, todos com um mesmo objetivo: ser
feliz e estar bem pelo menos durante aquele momento.
Enfim, a música nos faz feliz, nos
faz acreditar que “a luz que deu luz ao universo conspira a nosso favor” (Recomeçar, Flávio
Venturini).
“E lá se vai mais um dia...”
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria
de Educação Fundamental,
(1998). Referencial Curricular Nacional para Educação
Infantil. Brasília: MEC/SEF, v. 3.
B823p Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
curriculares nacionais: arte / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília:
MEC/SEF, 1997. 130p.
BRITO, Teca Alencar. Música
na educação infantil: propostas para
a formação integral da criança.
São Paulo: Petrópolis, 2003. Entrevista com Teca Alencar de Brito- Edição 230
da Revista Nova Escola, Março/2010.
FONTERRADA, Marisa, Trench, Oliveira, (2005). De tramas
e fios – Um ensaio sobre
música e educação. São Paulo: Editora UNESP.
HENTSCHKE, Liane; DEL BEN, Luciana, (2003). Aula de
música: do planejamento e
avaliação à prática educativa. In: ____. HENTSCHKE, L. DEL BEN, L. (Orgs.). Ensino
de
música: propostas para pensar e agir em sala de
aula. São Paulo: Ed. Moderna. Cap. 11.
HENTSCHKE, Liane. [et al.], (2005). A orquestra tin tim
por tin tim. São Paulo: Moderna.
LIMA, Elvira Souza; Indagações sobre currículo : currículo
e desenvolvimento humano / Elvira Souza Lima] ; organização do documento
Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. –
Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de
Educação Básica, 2007. 56 p.






